terça-feira, 16 de setembro de 2008

Monólogo


O barulho do vento é a única presença que eu sinto
Ninguém em casa, ninguém pra me ajudar
Ouço minha respiração pesada e sinto a disritmia do meu coração
Tudo é tão pequeno no meu quarto, me sinto encurralada em meu próprio beco
O futuro me assusta e o presente me assombra
Já não me sinto eu, já não vejo a mesma no espelho
Parece que assisto a tudo que se passa, mas de nada participo
Como um teatro vazio
Um espetáculo com uma única expectadora: a atriz principal
Que tudo vê e nada sente
Já não sabe mais quem é
Como uma boneca de pano
Abandonada a vontade dos outros
Um ser inanimado que já não pensa, que já não sorri
Só acompanha com os olhos
Como um ponto de luz no universo
Que se afasta, que vai embora
E que se apaga sem nem mesmo querer.

sábado, 13 de setembro de 2008

Sem título


Altas horas da noite, e ela ali
Não podia dormir
E ele pensava que poderia não importar
E mesmo assim perdeu o sono
Ela andou sozinha pelas ruas escuras
Se sentindo grande
E ele olhava o teto
Pensando nela
Ela parou num bar e bebeu um pouco
Sua sede talvez fosse de outra coisa
Ele não agüentou e saiu
Decidido, foi procurá-la
Ela sentou-se numa pedra olhando a lua
Brilhava ela como seus olhos
E ele a encontrou sonhando acordada
Com aquele momento
Talvez hoje, pouco exista dos dois
Nunca se soube o que aconteceu
Mas foi assim que ouvi dizer
Quanto àquele caso
De um louco e profundo amor.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Sem título

Cansei dessa vida mesquinha que estamos levando
Cansei de aacordar todos os dias ao teu lado
Me incomoda não encontrar a casa vazia
Não consigo mais olhar em seus olhos

Cansei de anões de jardim na frente de casa
Cansei dos pequenos objetos bregas espalhados que te deixam feliz
Me deixa mal seu sorriso sarcástico
E o brilho arrogante do seu olhar

Cansei de ouvir sua voz falando em meu ouvido
Cansei das suas mãos buscando minhas costas
Já não te sinto como meu
Já não me sinto como sua

Cansei de ter que dizer 'eu te amo'
Cansei de dizer 'tudo bem'
Você já não me vê como sua
Você já não se vê como meu

Essa é a razão do afastamento
Por isso minha partida repentina
Não quero deixar de amá-lo
Pois lembro que um dis lemos juntos algo que se aplica ao nosso caso:
"O amor só atinge sua plenitude no distanciamento"(*)

Marcia Caetano da Costa (11/09/2008)

(*)Sollivan Brugnara

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Sem título

A sensação de romance
O calor dos corpos
O perigo de se perder
Nas mãos, nos lábios, nos laços
De quem tem a habilidade de fazer arrepiar
E o poder de amenizar todas as dores
Assim chega o amor
Intenso como o mar agitado em dia de vento
Simples como tocar a névoa da manhã
E inesperado como o suspiro que vem com a imagem da pessoa amada