
O barulho do vento é a única presença que eu sinto
Ninguém em casa, ninguém pra me ajudar
Ouço minha respiração pesada e sinto a disritmia do meu coração
Tudo é tão pequeno no meu quarto, me sinto encurralada em meu próprio beco
O futuro me assusta e o presente me assombra
Já não me sinto eu, já não vejo a mesma no espelho
Parece que assisto a tudo que se passa, mas de nada participo
Como um teatro vazio
Um espetáculo com uma única expectadora: a atriz principal
Que tudo vê e nada sente
Já não sabe mais quem é
Como uma boneca de pano
Abandonada a vontade dos outros
Um ser inanimado que já não pensa, que já não sorri
Só acompanha com os olhos
Como um ponto de luz no universo
Que se afasta, que vai embora
E que se apaga sem nem mesmo querer.


