terça-feira, 4 de agosto de 2009

Cotidiano


O sol levanta. A tempestade começa.
Gritos de impaciência, berros de irritação, um choro incessante de fome, tudo perfeitamente reunido pelas pessoas da casa para o mais puro ritual do caos diário. Tudo é incômodo.
Não há um mínimo de calma, um só resquício de tranquilidade para qualquer coisa que eu queira fazer.
As palavras não me saem da cabeça, mas se tento escrevê-las elas somem, de modo que eu só posso pensar, mas nenhuma letra colocar no papel.
Arrasto-me pelos cantos o dia todo, contando os segundos para a agonia acabar.
Tenho amor pelos meus progenitores, tenho consideração pelos demais filhos deles, afinal, são meu "contato com o meu passado", mas esses sentimentos são dirigidos a cada um individualmente e não para o conjunto.
A tarde vem preguiçosa e eu me pergunto o motivo pelo qual ela se arrasta tanto e reluta para não acabar.
Enfim a tarde vai, chega a noite. Hora do jantar.
A louca desordem continua, agora em ritmo de stress devido ao dia corrido e caótico. Um reclama de um lado, um chora de outro, um pede calma, outro sai grosseiramente da mesa como se não houvessem ainda inventado a educação.
O jantar desce para o estômago e o cansaço fica mais cansado ainda. Precisa-se de uma noite de sono.
Como se nada tivesse acontecido, "boa noites" são ouvidos de todos os lados. Cada um em seu quarto, recolhido em seu majestoso reino particular. Descansar finalmente!
Cessam os passos pela casa.
O silêncio cai como um manto suave em minhas costas, e me enche da mais plena paz.
Pego lápis e papel e começo a despejar minhas cismas.
A tempestade acabou.
Pelo menos pelas próximas oito horas.

domingo, 17 de maio de 2009

Sem título



A sensação de romance
O calor dos corpos
O perigo de se perder
Nas mãos, nos lábios, nos laços
De quem tem a habilidade de fazer arrepiar
E o poder de amenizar todas as dores
Assim chega o amor
Intenso como o mar agitado em dia de vento
Simples como tocar a névoa da manhã
E inesperado como o suspiro que vem com a imagem da pessoa amada


"Eu que não sei quase nada do mar, descobri que não sei quase nada de mim..." (*)


A. C.

domingo, 3 de maio de 2009

Sem título


A manhã passa, a tarde cai, a noite avança, a madrugada acalma
Os dias seguem e a paz continua
É até estranho o tamanho da calmaria dentro desde coraçao que nao se aquieta, as vezes é até atemorizante a possibilidade de tudo isso acabar - mas é só as vezes.
A tempestade vem no fim da tarde, os pingos d`agua colam no vidro da janela como meus lábios naquela boca num beijo profundo tal qual erosão.
Enquanto a gota escorre meus olhos pacientemente a acompanham, ela desce, desce, desce e se junta com dezenas de outras gotas que formam um pequeno universo de restos de chuva
Um sorriso emerge sem que eu possa segurar quando lembro daquele sorriso que tanta paz me transmite, daquelas mãos delicadas que me acariciam tao docemente, daquele corpo ajustado ao meu numa comunhão impressionante e da sensação de entrega que me vem quando ouço o timbre daquela sua voz...
A vida é outra agora.
Diacho de coração!
O melhor de tudo é saber que apesar de tudo de ruim que acontece lá fora no meio da tempestade, aqui dentro está cada coisa no seu lugar e que por mais que chova vai sempre haver um momento em que podemos respirar outra vez e recomeçar.


"Estou vivendo como criança que descobre."*


(*) Gustavo Pöttker

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Canção quase poética

Pelo sorriso dela nasce o sol
Pelo seu choro a madrugada se torna sombria
Em suas mãos cabem todas as maravilhas do mundo
E o mundo acaba quando ela fecha a porta
Ela une o bem e o mal, o verdadeiro e o contrário dele
Ela personifica todos os defeitos perfeitos que a natureza humana carrega
E no seu corpo afundam todas as minhas angustias
Seu olhar responde todas as minhas perguntas
Minha alma sai de mim ao toque da sua mão
Sei que já passou de paixão, de loucura e de talvez insanidade
Mas se pudesse perder todo o meu tempo, seria observando-a andar
Se pudesse carregar alguma coisa pra sempre, seria o timbre a sua voz
E se pudesse nunca mais esquecer algo, não esqueceria o seu nome...

domingo, 30 de novembro de 2008

Sem título


Há dias nos quais acordo sem saber como estou
Dá aquela saudade de casa, colo de mãe, conversa de pai, brigas de irmão, daquele cachorro chato implorando carinho...
Dá um aperto no peito ao lembrar dos domingos com os amigos do colegial, noites de bebedeira aos sábados, semanas intermináveis de provas que quase deixavam todos malucos, viagens de férias que carregavam magia consigo...
Dá um arrepio ao lembrar da sensação do beijo que ficou na memória, do toque, das mãos quentes, o perfume que pairava no quarto, a delicadeza da pele, o juramento eterno que se quebrou...
Dá raiva ao lembrar das horas de espera, do novo estilo de cabelo que não foi notado, da indiferença frente à algo tao importante, da falta de paciência, da imaturidade...
Dá vontade de chorar pelo desejo ardente de reviver tudo outra vez.
Dá um desespero ao pensar que nada vai voltar.
E o dia acaba, a noite vem e traz consigo o sono tranquilo e um oportunidade de viver outra vez o que passou
Nos sonhos, posso voltar no tempo e ver que nada foi em vão, mas que ainda tenho muito a melhorar
E que a mágoa que ficou das coisas ruins não vale a pena
O que realmente vale é a verdadeira paz de espírito quando se deita a cabeça no travesseiro.


Será que você ainda pensa em mim?

domingo, 9 de novembro de 2008

Sem título

As avenidas que me levavam
Aos becos mais profundos daquela cidade
Faziam com que meu corpo estremecesse
E ficasse encolhido de medo
Talvez do meu futuro
Talvez do meu passado
Talvez eu só tivesse medo de mim mesma
E ainda assim não queria admitir



"Todo mundo tem um segredo"

domingo, 26 de outubro de 2008

...

Escolher é para poucos
Aceitar nunca fez o meu tipo
Acreditei sempre em mim e em mais nada
Mas minha terra tremeu quando te conheci
A vida passou a não ser mais como era antes
O mundo passou a girar do lado contrário
A maior parte do tempo fico tentando achar uma maneira de te trazer de volta
Mas todas as vezes que tento aplicar algo, acabo me convencendo que é melhor te deixar
Minha vida sempre foi muito confortável
As vezes penso que seja por isso que te deixei e te deixo ir sempre
Cada vez mais longe de mim, voce me esquece
Cada dia que passa me afasto mais da possibilidade de deixar minha vida uma bagunça denovo
A bagunça que me fez crescer, que me deu experiência para suportar muita coisa que acontece hoje, quando estamos longe
Tudo o que passei durante os três meses de confusão, diversão e bagunça ao seu lado foram suficientes para me deixar forte para decidir coisas que quero pra mim
Me aventurei ao me aproximar de voce naquela tarde
Me arrisquei ao convidá-lo a me acompanhar naquela manhã
Acabei com a muralha de pedra da minha "vidinha" naquela noite em que me deixei repousar do seu lado
Adormeci quieta, serena depois de te ver adormecer quieto, sereno
Ao acordar apavorei-me vendo que talvez tivesse perdido totalmente o controle, mal sabia que esse controle nunca esteve realmente comigo
Me perdi de você há algum tempo, ou melhor, nos perdemos há algum tempo
Não estou sofrendo
Mas as vezes vem um frio, dá uma vontade do teu abraço estreito, que tanto me agradava
As vezes vem um desespero, dá uma vontade do teu peito pra acalmar
As vezes me sinto só, olho ao redor e não vejo seu olhar alegre, não ouço sua voz rouca e naturalmente doce nem sinto o calor do seu corpo confortável comprimindo o meu
O tremor da minha terra ainda nao passou
Queria que a calmaria viesse com você